O bom uso da tecnologia na sala de aula

08/07/2012 17:35

A educadora alemã, Martina Roth, defende uma transformação do processo de ensino e aprendizagem que prepare as crianças para enfrentar as novidades do século 21, com um currículo em que os projetos substituam as aulas

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Rita Trevisan
Nova Escola - 11/2011

 
Formar jovens aptos a lidar com as novas exigências deste século é uma meta que só será alcançada com uma transformação sistêmica da Educação, com intervenções no ambiente escolar e no currículo. Essa é a opinião da alemã Martina Roth, mestre em Pedagogia, doutora em Filosofia e diretora de Estratégia, Pesquisa e Política da Educação Global da empresa de tecnologia Intel. Ela já participou da implementação de programas educativos em cerca de 50 países de três continentes e de alianças estratégicas para iniciativas globais, ao lado de representantes de entidades mundiais, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em entrevista a NOVA ESCOLA, Martina fala sobre como a tecnologia pode modificar a dinâmica de ensino e aprendizagem e cita as experiências bem-sucedidas de outras nações, que podem servir como referência para as escolas brasileiras.


Vivemos uma época caracterizada pelo avanço das tecnologias e pelo surgimento de novos paradigmas de aprendizagem. O que cabe à escola nesse sentido?
Martina Roth -
As exigências e oportunidades relacionadas às tecnologias hoje são enormes para todos os países. Para lidar com isso, é essencial pensar em meios de desenvolver nas escolas as habilidades que as crianças precisarão para enfrentar o século 21, como pensamento crítico, capacidade para resolver problemas e tomar decisões, boa comunicação e disposição para o trabalho colaborativo. As nações que trabalham para integrar essas novas habilidades à prática escolar e propiciam, por exemplo, uma relação mais próxima entre professores e alunos e um atendimento quase personalizado às necessidades deles têm mais chances de avançar. Nesses países, o sistema político dá suporte à transformação sistêmica na Educação. O mais importante é garantir que toda criança tenha acesso ao ensino e à tecnologia de forma igualitária.

De que forma o uso das tecnologias altera o trabalho do professor e a relação dos alunos com o estudo?
Martina -
No momento em que se oferecem computadores às crianças e aos professores - e o Brasil já está começando a fazer isso -, há duas situações possíveis. O docente pode usar o computador apenas para preparar o material para as aulas. Mas ele também pode se valer da tecnologia para estabelecer uma metodologia diferente, um novo tipo de relação com o aluno, muito mais personalizado, e isso me parece o mais importante. A tecnologia permite o trabalho individual e em grupo de maneira mais eficaz. O aluno, quando está em casa, consegue se comunicar com o grupo da escola, os pais podem observar seus avanços e o processo de aprendizagem ocorre de forma mais natural e espontânea. O estudante fica em contato com o conhecimento não apenas no período em que está na escola mas também no restante do tempo. É claro que, no caso dos professores, há uma transformação cultural importante acontecendo e toda transformação exige algum nível de esforço. Eu creio que é uma mudança positiva. A experiência nos mostra que os professores que já estão envolvidos em programas de treinamento estão muito mais motivados a ir além na prática pedagógica para aprender cada vez mais sobre as tecnologias e sobre como utilizá-las em salas de aulas.


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