LAGO DA "MORTE": toponímia, exuberância e degradação antrópica

22/01/2013 19:24

           POR DORILENE MARTINS**

 

 

Todos os lugares possuem uma história, no campo ou na cidade. São marcas de uma cultura que são acumuladas por tradição e herança, comum as todas as sociedades. Além de terem uma identidade são, portanto, consideradas patrimônio cultural e histórico porque representam um valor singular e excepcional para seu povo e, assim, necessários de serem preservados e transmitidos para as gerações futuras.

Inserido nesse contexto encontra-se o município de Arari, localizado na região Norte Maranhense, fundado no ano de 1723, por José da Cunha D’Eça. Situado em posição agradável e privilegiada, o lugar ficou cortado pelo Igarapé Nema, escoadouro do Lago da Morte, águas onde um dia se encontrava muitas espécies de peixes que sempre foram fartura alimentícia da população.

O lago da Morte é uma das maiores riquezas naturais de Arari, mas não se trata de um lago propriamente dito, é uma área inundável que se transforma em lago temporário no período chuvoso e volta a ser campo logo após o abaixamento das águas.

O escritor arariense, José Raimundo Soares, em seu livro “Ressonância de Ecos”, conta-nos que o nome Lago da Morte é baseado num caso trágico envolvendo duas pessoas, cujo episódio teve como cenário  o próprio local e os atores principais eram pescadores da região: Manoel Baiano, o tarrafeador; e João Graúna, vareiro da Canoa.

Motivados pela monotonia de uma madrugada escura e fúnebre, João Graúna num instante qualquer, sente o desejo de dar um forte grito que ecoasse no espaço, como forma de reação diante daquela situação de silêncio e calmaria  que sentia. E para sua surpresa, o seu manifesto desesperado foi repreendido pelo seu companheiro de pescaria, que se manifestara de forma agressiva e intempestiva diante de seu gesto. Naturalmente suas palavras foram suficientes para romper a tranquilidade da noite. Imediatamente os insultos foram trocados por impiedosas varadas lançadas entre ambos. Com mais velocidade, o João Graúna ataca brutalmente seu companheiro num golpe fatal que o fez perder a vida.

Diante desta exposição, constata-se que o termo “Da Morte” foi empregado ao lago pela ação descontrolada e agressora do homem contra seu próximo tornando, assim, paradoxal ao princípio natural da localidade em manter a vida para dar continuidade a outras gerações.

Atualmente o conhecido “Lago da Morte” ainda é muito visitado pela população e por turistas de outras regiões, mesmo passando por graves problemas ambientais provocados pelo uso inadequado dos seus recursos naturais pelo homem. A pastagem para criação de gado de pequeno e grande porte, e a extinção de algumas espécies de peixes são exemplos bem visíveis de degradação desse importante lugar. Necessariamente a sociedade e os órgãos competentes devem estar aliados em processo de discussão da vida e da terra em si. Enquanto espaço de sobrevivência, como nos diz Leonardo Boff, “cada um assumindo a postura de anjo-da-guarda do planeta, e não como satã da terra”.

Somos partes integrantes de uma cadeia ecológica, e como partes importantes, somos os únicos que pensamos e agimos de acordo com nossos pensamentos. Devido às ações inconsequentes, o homem vive em um planeta com escassez de água e uma evidente falta de produtos naturais, já que não tem cuidado de sua vegetação, dos minerais, enfim, de seu habitat natural. Com isso pode-se prevê que a vida na terra será quase impraticável se o homem não se conscientizar de que precisa mudar de hábitos (economizar água, preservar lagos, rios e mares, evitando que sejam contaminados por dejetos e efluentes poluentes) e principalmente lutar pela permanência do planeta, mantendo-o ecologicamente vivo.

 

** Dorilene Martins é estudante arariense.

 

REFERÊNCIAS

SOARES, José Raimundo. Ressonância de Ecos. Arari-Ma. (Sem Editora). 1994.

 


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