ARARI, limnologia lacustre

26/11/2012 10:55

César Augusto Marques, notável historiador e pesquisador maranhense, no Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, fez a seguinte inferência sobre o conjunto lacustre de Arari:

 

“Distante da povoação meia légua está o Lago da Morte, que é mui piscoso, tendo no verão meia légua de circunferência, e no inverno quatro léguas, por ser rodeado de campos baixos que, se inundam com as chuvas.

Comunica-se este lago com o igarapé Nema, que passa dentro da povoação, e sobre o qual existe uma ponte de pau muito arruinada e com muitas tábuas soltas.

Para que o lago não esgote, tapa-se no verão o igarapé, que deságua no rio Mearm.

No inverno, também se comunica este lago com o igarapé do Arari que nasce em campos baixos ao lado dele.

Em distância de duas léguas, encontra-se o Laguinho, menor do que o antecedente, bem piscoso e constante, pois nunca se esgota.

“Arredado quatro léguas, acha-se o Açutinga, maior que o Laguinho e igual ao da Morte; dá muito peixe, porém, cercado de atoleiros, só é aproveitado quando o verão se apresenta com muito rigor”.

 

 

Arari possui uma grande quantidade de lagos, exatamente 40 lagos no total, a maioria deles é perene, com exceção do lendário Lago da Morte, que durante o período chuvoso transforma-se num imenso “mar de água doce” com uma grande fauna ictiológica e um verdadeiro criadouro de aves piscívoras, típicas de campos alagados como: jaçanã, socó, gueguéu, siricoras, garça branca, marrecas, "galo do campo", etc. Durante o período de seca o lago transforma-se numa grande planície verde propícia para passeios, piqueniques e até mesmo para pastos e lavouras, o que agride a sustentabilidade do lugar.

“Na verdade o Lago da Morte é uma depressão existente numa área de campo da baixada, com o escoamento das águas de inundação desses campos, se constitui numa pequena bacia que retém essas águas por um período mais longo, e que na medida em que seu nível se reduz as suas águas vão se tornando imprestáveis devido ao aumento da salinidade. Este fenômeno tem causado anualmente grandes prejuízos aos moradores da região.

“Durante o verão a área de influência do lago se transforma em campos áridos com vegetação rasteira onde o gado é solto para se alimentar e, durante o inverno esses campos são inundados, e nesse período acontece o fenômeno da Piracema onde uma grande variedade de peixes sobe o Igarapé para desovar nas reentrâncias existentes” - segundo Relatório de Impacto Ambiental da Barragem do Nema – realizado pela HIDRAELE SERVIÇOS E PROJETOS LTDA, em 1996.

Já os lagos permanentes são piscosos e localizam-se em várias regiões do município, dentre os quais destacam-se: Lago do Coco, Muquila, Açutinga, Laguinho, Capivara, Nindiba, Arari-Açu, Escondido, Lago do Peixe, Pintos, Fumo, Almas, Lago das Palmeiras, Jaburu, Bonito, Roncador, Patos,  etc. Todos esses são de importantíssima riqueza alimentícia, sobretudo para os habitantes da zona rural do município. 

Obs.: Os lagos citados acima foram visitados pelo autor deste texto.

 

REFERÊNCIAS

  • MARQUES, César Augusto. Dicionário Histórico – Geográfico da Província do Maranhão. 3ª Ed. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970 (Coleção São Luís).
  • HIDRAELE – Projeto de Construção da Barragem no Igarapé do Nema – Relatório de Impacto Ambiental. Volume II. Arari – Ma. Agosto/1996.

                

 

 


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