A IMPORTÂNCIA DOS IGARAPÉS PARA ARARI

21/02/2013 09:51
 
Os igarapés são pequenos cursos d’água que correm em direção, geralmente, a um rio. Nosso município é cortado em várias partes do seu território por esses “braços” de rios, todos de cursos perenes que alimentam o volume de água do Mearim, e servem de vias migratórias para os peixes do rio no período da piracema, quando estes percorrem os igarapés até os lagos e campos baixos para a desova, e, assim, perpetuarem as suas espécies.
            Destacaremos, então, os seguintes igarapés ararienses, aos quais catalogamos in loco: Nema, que passa dentro da cidade e desemboca no centro da cidade de Arari, no rio Mearim; Arari, Ubatuba, João de Matos, Arari Açu, Arari-Mirim, Piraíba, Ponte, Barreiros, Curimatá, Itaquipetuba, Brandão, Grilo, Igarapé dos Fernandes, Tororomba, Garrote, Pericau, Charaviscal, etc.
 Sobre a importância dos Igarapés e sobre a tradicional, porém, prejudicial tapagem desses mananciais, o professor Silvestre Fernandes, em seu trabalho sobre “A Baixada Maranhense”, escreveu:
 
 “Nos igarapés que funcionam como sangradouros, em certa altura do seu curso, levanta-se uma cerca com talos de pindoba ou varas comuns, estendidas de uma a outra margem. Junto a essa tapagem, à montante, fincam-se dois jiraus, que são os pesqueiros do ‘canto’, como vulgarmente chamam os pescadores. 
 
Uns peixes, que sentem as águas do campo diminuir, procuram os igarapés com o objetivo de ganhar os rios principais.
 
Reúnem-se em cardumes numerosos. Retidos afinal pela armadilha que previamente foi preparada, são pescados com facilidade. Em geral essas tapagens são públicas e muitos pescadores se servem delas. O primeiro a chegar toma lugar no ‘canto’ e tem a primazia da pesca.
 
No leito do igarapé costumam deixar cair uma pindoba aberta para, em contraste com o lado escuro, melhor serem destacados os cardumes.
 
O ‘canteiro’, pescador que se coloca no jirau já referido, assim que percebe a influência de peixe junto ao cercado,assobia, dando o sinal convencional. Lança preste sua tarrafa e os outros o acompanham. Por esse modo apanha-se todo peixe por ali existente.
 
Depois de duas ou três tarrafadas, voltam à calma.
 
Ninguém conversa para não espantar os peixes. Em posição atenta, aguardam-se novas oportunidades.
 
É notável a quantidade de pescado colhido nesse período do (maio a junho) em quase todos os igarapés da zona.
 
Tal gênero de pescaria é mais abundante à noite".
 
Há ocasiões em que somente chegam à tapagem curimatãs. Em outras já se pegam bagrinhos, também chamados de capadinhos ou anojados (Pydidium brasiliense), acarás, piaus, mandis e dourados saborosos. Não “raro, porém, o peixe falha um ou dois dias, atemorizado pela intensa perseguição dos pescadores.”
 
REFERÊNCIA
  • FERNANDES, Silvestre. Baixada Maranhense. Revista Brasileira de Geografia. 1956.

 


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